terça-feira, 29 de maio de 2007

Modificações no Governo Jerônimo Monteiro


No entanto, é no governo de Jerônimo Monteiro que Vitória tem sua fisionomia alterada de forma mais significativa, quando uma nova paisagem urbana é produzida pela somatória de intervenções efetuadas no período 1908/1912. Todos aqueles anseios, nos governos anteriores de limpar, sanear, construir belos prédios, abrir praças, ajardinar, embelezar a cidade, fazem-se concretos, marcando o processo de crescimento e estruturação da cidade.
Assim, a partir de então, encontra-se o Governo Estadual tentando avançar naquela que era uma das maiores aspirações dos governos anteriores, ou seja, diminuir, ou mesmo eliminar, a dependência que a economia capixaba e, por conseguinte, a receita pública, tinha em relação à atividade cafeeira. Para tanto, Jerônimo Monteiro decide intervir diretamente na economia estadual, via fomento à industrialização.
Para efetivar todas essas mudanças que pretendia na cidade, Jerônimo Monteiro elabora o Plano de Melhoramentos e de Embelezamento de Vitória que compreende o alargamento das ruas e praças existentes, e a abertura de outras ruas, modificando completamente o mau aspecto da capital.
Jerônimo Monteiro executa sua “obra capixaba maior”, para alargar a Rua da Alfândega, e ligá-la à Praça Costa Pereira, são feitas uma série de desapropriação, e demolições. Com nova perspectiva, a Rua da Alfândega passa a chamar-se Rua Jerônimo Monteiro.
As preocupações de Jerônimo Monteiro com o aspecto da cidade se estendem ao Largo do Palácio onde, com mesmo ritmo e intensidade, os espaços do poder também vão sendo transformadas. Para tal, não se utiliza apenas de desapropriação e construções. As redondezas e o próprio Palácio do Governo tem suas linhas coloniais alteradas, seguindo um padrão estético mais de acordo “com as linhas de arquitetura moderna”. Jerônimo Monteiro, com certeza, busca no Rio de Janeiro a Inspiração para a nova “modelagem”, a nova “forma” do poder. Afinal, ele presenciara a obra de Pereira Passos na Capital Federal, e o que for feito em Vitória não fica muito longe do ocorrido ali, nas devidas proporções.
Na vila Moscoso, Jerônimo Monteiro determina que seja construídas de 50 a 100 casas para estimular a iniciativa particular, de uma lado, e por outro, para atender as dificuldades que a população sentia pela falta de habitações. Apenas 28 casas são construídas.
Em 1908, Jerônimo Monteiro contrata os serviços de iluminação elétrica pública e abastecimento de água pública e particular. Assim, é inaugurado o serviço de energia elétrica, bem como as primeiras instalações de água da cidade, com a construção de Reservatório da Santa Clara, obra de grande importância para a época. È inaugurado em 1911 o serviço de esgotos. O serviço de bondes elétricos inicia-se no mesmo ano, 1991, com a reforma de toda a linha de bondes.Com Jerônimo Monteiro Vitória tornou-se uma cidade habitável, quanto às condições sanitárias, e em pé de igualdade com as melhores capitais brasileiras.
Fontes de Pesquisa:

ALMEIDA, Renata Hermany, O Centro de Vitória, Monografia – Prós-Graduação, Curso de Arquitetura e Urbanismo, UFES, 1986.

Vitória nos Governos de Marcondes de Souza e Florentino Avidos


O governo seguinte, de Marcondes de Souza, encontra grandes dificuldades para dar continuidade à execução dos melhoramentos na cidade. Com a 1ª Guerra Mundial, ficam prejudicadas as relações comerciais do Brasil, rebate diretamente na diminuição das exportações de café. Mesmo com as receitas comprometidas, tem-se continuidade as intervenções no espaço da cidade que se mantêm presentes, sempre com a mesma intenção: consolidar Vitória como porto e capital político-administrativo do Espírito Santo.
Na parte alta da cidade, a “Pedro Palácios é transformada num verdadeiro boulevard”. Com passeios de 3.5m de largura, sistema mosaico, de conformidade com os da antiga Av. Central, ou Rio Branco, no Rio de Janeiro.
Na região do Parque Moscoso, se intensificam as melhorias urbanas que, sucessivamente, o transformam no ponto nobre da cidade, nas décadas seguintes.
Entretanto, esta situação começa a se alterar a partir de 1917, quando se inicia uma nova fase na economia capixaba. O crescimento dos preços do café resulta na expansão da lavoura cafeeira, um reaquecimento das ações na cidade.
E é nesta situação que em 1924, assume o governo do Estado, Florentino Avidos.
O governo Florentino Avidos reinicia as obras do Porto. Essas incluem a construção da ponte Florentino Avidos que, ao ligar definitivamente Vitória ao continente, resolve as dificuldades de transporte da produção do Estado para a capital.
Paralelamente às obras do porto, prosseguem as reformas da cidade que, dentro o plano geral de melhoramentos de Florentino Avidos, já se estendem aos bairros “periféricos”, onde são executadas obras de saneamento, conforto, embelezamento.
Mas é na cidade que ainda se concentram as intervenções urbanas, seja demolindo “casa detestáveis” para reconstruir, agora como nova roupagem, ou para alargar vias e corrigir alinhamentos extravagantes; seja construindo edifícios públicos, seja melhorando os serviços de água, luz e esgotos e ainda, construindo escadarias “monumentais”, jardins e monumentos.
E para tanto, o Governo de Florentino Avidos intensifica e agiliza “todos os esforços no sentido de concretizar o sonho que desde Muniz Freire começara a se fazer: transformar Vitória numa cidade moderna, clara, limpa, domar-lhe a agressividade típica de cidade torta, enquistada entre o mar e a montanha”.
Ao final do Governo Florentino Avidos com outra “cara”, outra “fisionomia”, outra dimensão. As intervenções ocorridas no período 24/28, quando somadas às executadas até então, resultam em parte significativa da cidade de hoje.
Consideradas todas as modificações ocorridas, durante o Governo Florentino Avidos, define-se o final da década de 30 como um terceiro momento no processo de crescimento urbano de Vitória, durante o qual, se constrói imagem de Cidade do Futuro. No entanto, essa imagem continua sendo produzida pelas administrações seguintes que, complementando obras e realizando outras, dão prosseguimento à construção da cidade.
Fontes de Pesquisa:

ALMEIDA, Renata Hermany, O Centro de Vitória, Monografia – Prós-Graduação, Curso de Arquitetura e Urbanismo, UFES, 1986.

O Centro de Vitória na atualidade

O modelo econômico, imposto ao Espírito Santo, a partir dos chamados Grandes Projetos, extremamente concentrador e modernizador, altera profundamente a estrutura de distribuição populacional do Estado, provocando um afluxo sem proporções para a região da área central, município da Grande Vitória. Isso resulta na fixação de população de baixa renda na periferia de Vitória, cuja maioria está fora do sistema formal da economia.
Entretanto, o centro tem história, que está presente nas ruas, nas edificações, em todos os espaços que, ao mesmo tempo em que guardam, são testemunhas de seu processo de estruturação/ conformação, tornando maior sua resistência à imposição das transformações urbanas.
O consumo do centro, seja para o trabalho, estudo, moradia, ou ócio, parece ser acompanhado da insegurança que o desconhecido gera, seja em meio à multidão ou vazio, de dia ou de noite.
Em 1986, um projeto acadêmico de graduação do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) levantou as primeiras discussões sobre a necessidade de uma política efetiva de revitalização da área central, que já apresentava, desde o final da década de 1970, sinais visíveis de esvaziamento, através da transferência dos investimentos para a região Norte da cidade. Houve abandono e degradação dos espaços do Centro.
Hoje algumas ações e projetos importantes previstos já foram implementados. Iniciativas ligadas à reestruturação dos espaços públicos, melhoria da iluminação e sinalização indicativa e turística, além de melhoria no trânsito, intensificação de limpeza, recuperação de monumentos, novo paisagismo e a construção de calçadas padronizadas.


Fontes de Pesquisa:

ALMEIDA, Renata Hermany, O Centro de Vitória, Monografia – Prós-Graduação, Curso de Arquitetura e Urbanismo, UFES, 1986.